ÉVORA MINHA CIDADE

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

EU QUERO

Quero viver, não sei porquê mas quero, qual será, a razão, Será por amor há vida? Será por amor aos meus amores, Certamente que sim.

Tudo o que vivemos vali a pena ser vivido pois a vida é uma escola de grande ensinamento, só que muitas vezes não entendemos a sua mensagem, talvez por isso muitos de nós não damos o valor que é viver, Viver é dar e receber, é ter tudo e não ter nada, é estar bem onde não está é querer ir onde não vai, Sempre a esperado dia que vai chegar.

Porque cada dia da nossa vida é sempre um novo dia, cheio de esperança que o calor do sol nos dê a força para todos os dias da nossa vida, Por tanta beleza, e por um mundo melhor, eu quero viver porque a vida é bela, E só temos esta.

 Generosa 6 de Junho de 2008          

ABRIL

 Para mim o dia 16 de Abril foi mais um dia de grande refleção, porque é o dia de meu aniversário, e eu tenho sempre que perguntar à vida se vale a pena, e se devo continuar, a ser como sou e a saber tomar as minhas vontades, na hora melhor sei que não estou sózinha, pois a minha família,  Deus e a esperança nas pessoas que mais amo dizem todos para continuar a lutar todos os dias, o que não é nada fácil.

Vivo um dia de cada vez sempre à espera que o amanhã seja diferente e melhor, pois só assim a vida pode ser vivida, amando os outros mais que a nós próprios.

E é nessa direcção que eu quero continuar. MIM O DIA 16 DE ABRIL FOI MAIS UM DIA DE GRANDE REFLECÇÃO. PORQUE e O DIA DO MEU ANIVERSÁRIO, E EU TENHO SEMPRE QUE PERGUNTAR à VIDA SE VALE.

GENEROSA M. P. BATISTA,


 19 DE ABRIL DE 2008

 Hoje é dia 22 de Abril de 2008, e eu tenho muitas saudades do meu neto pois á uma semana que não estou com ele, estou sempre a lembrar as suas palavras, quando me diz, Avó, o Guilherme gosta muito de estar cá e gosta muito de brincar com o avô, o Guilherme tem de estar cá mais vezes porque o Guilherme gosta muito de dormir cá, é muito bom não é O Guilherme quando vai embora fica com saudades, eu meu coração esta sempre preocupado e pedindo a Deus que proteja o Guilherme e o pai o tio, pois são eles a minha grande preocupação, e os grandes amores da minha vida, pois são eles os 3 atilhos que me trazem segura ao mundo.

Pensando neles, tive um sonho, que era uma vez um mundo onde todas as crianças eram felizes e tudo era muito melhor, havia muito amor para dar e muita paz e muito amor entre os homens de boa vontade, era este o mundo em que todos decerto queríamos viver, e dar as nossas crianças, uma vida com grande felicidade e alegria É por isto e muito mais que peço a Deus, a sua protecção para as nossas crianças nunca deixem de sorrir, é por elas que quero o sol com calor, a lua com luar, os jardins com flores, a paz entre os homens.

Generosa Batista 27 de Abril de 2008
           

ERA UMA VEZ

  Numa aldeia do alto Alentejo, á 57 anos nasceu, e cresceu uma menina, muito amada por todos, rodeada de muito amor e carinho.
   Mas essa menina tinha um sonho, crescer e fazer qualquer coisa para poder ajudar todos menos favorecidos pela sorte, mas a sua grande preocupação foi e continua a ser as crianças.
   Ainda hoje já mãe e avó são as crianças a sua maior preocupação, todas as nossas crianças precisam muito do amor e do carinho de todos nós pois para elas nada de mais.
   Todo isto que escrevi só me faz ter saudades de ser menina, pois com a minha idade cinto uma grande tristeza por não ter feito o que gostaria de fazer, eu gosto da vida mas mais que os homens nos dessem um mundo melhor e mais seguro, eu amo a natureza, as flores, o calor do sol, o silencio da noite.
   Muitas vezes é ao silêncio que falo dos meus pensamentos pois sei que tenho sempre resposta, sou por norma alegre mas também muito preocupada, mas porque tenho fé em Deus acredito num mundo melhor.
   Generosa 1 Maio de 2008,

EU SEI

Já sei que nada sei, mas gostava de saber, o que talvez nunca ninguém me tenha contado.


Mas sei que vou saber, mais dia, menos dia.


Mas a verdade verdadeira, é que por mais estranho que pareça, nada para mim é novo, sou realista de mais, o que às vezes não me faz nada bem, e muito menos agrada aos que injustamente, pensam que nas minhas decisões não estou a ser correcta, as vezes até me dizem, que tenho manias, o que não é verdade, mas tenho a certeza, que sendo como sou, muitas vezes até cruel comigo mesma, nunca fui nem sou o que gostava de ser, mas sempre, a minha maneira lotei e lotarei por todos os que amo e também pelo que gosto, não quero perder a força, e muito menos a vontade, não gosto de saber que nada sei, nem que me vejam chorar, não gosto de dizer não, não gosto de gostar, mas a verdade é que quando gosto, gosto demais, motivo que muitas vezes me faz zangar comigo mesma, então ai grito mas não quero ser ouvida.


Generosa Baptista

Fonte - pensamentos à solta.blogspot.com

FOI UM DIA


À quase 40 anos que me lembro de dizer muitas vezes, Eu vou ser a mulher mais feliz do mundo, que palavra tão bonita, muitas vezes dita, talvez até acreditando nela, pois é pensando que a felicidade existe que temos as maiores desilusões que nos marcam para toda a vida.

Tinha eu 18 anos quando a vida me chamou para um dos grandes desafios, ou talvez O maior, e mais complicado de todos, (o meu primeiro casamento), pois não teve um final feliz, e deixou marcas tão profundas, e um tão grande desencanto, que já mais poço esquecer, mas como o destino, é forte, também foi a partir desse dia, que a vida me deu os dois momentos, mais felizes, pois aos meus 20 anos, foi mãe, do meu primeiro filho, o Luís, mais propriamente, a 7 de Julho, de 1971, um dia marcado por uma grande felicidade, mas também marcado pelo grande medo, foi um parto tão complicado, que só a minha juventude, e o grande saber e dedicação, do senhor, Dr. Manuel Anjinho, Médico opstétra, um homem de tão grande bondade e de um coração que sempre teve muito para me dar, pois sabendo eu os riscos que corria, junto dele nunca tive medo de nada, nem me faltou a necessária força, de lutar, contra tudo o que parecia ser impossível, e tudo fez para nos salvar da morte, que bem perto esteve de nós.

Aos meus 23 anos, a 1 de Junho de 1974 nasceu o meu segundo filho, por eu ser uma pessoa, de fracos recursos físicos, o Paulo nasceu por cesariana, o que para nós foi muito mais fácil, e sem medo, recordo o nascimento dos meus filhos com todo o meu amor, mas também com uma grande gratidão por tanta dedicação carinho que sempre recebi daquele médico aquém devo a vida, dos meus dois maiores amores, pelos meus filhos, eu sou capaz de dar, tudo, em troca de nada.

Amor



E porque foi mãe, também tenho a grande alegria de ser, avó, alegria que não tem palavras, um amor que não tem tamanho, pois o Guilherme é nesta altura da minha vida uma força da natureza, e que muito contribui para que eu não desista de lutar, sempre por uma vida melhor para todos, como ele diz, eu tenho que viver muito tempo para o meu menino.

À muitos anos ouvi dizer que o nosso destino tinha a ver com a cor dos olhos, então às vezes fico a pensar, que para mim não é fácil seguir esse caminho, mas seja lá como for à sempre qualquer coisa que nos toca de maneira diferente.

Desde muito pequenina que gosto muito de ouvir cantar o fado, e ainda hoje é a minha música preferida, pois eu acho que o fado é como ele muito bem diz, uma estranha forma de vida, foi e continua a ser para mim um veículo de mensagens, que às vezes quando estou a escutar o fado ele tem o condão de me levar nem sei para onde, só sei que me dá muita paz, e me deixa muito serena, pois são talvez os momentos em que melhor me encontro comigo, e deixo que o meu pensamento resolva tudo por mim, se estivermos atentos aos seus poemas, decerto vamos encontrar muitos que são com toda a certeza retalhos das nossas vidas, o que foi considerado por todos canção nacional, o fado só pelos seus títulos nos deixa muitas vezes a pensar, este fado tem um poema que parece a minha vida, lembro-me da Cármen Cita que fugiu da caravana, porque não cria ser cigana, lembro-me do embuçado que por ser rei não cria ser conhecido, lembro-me da menina do rés do chão que não podia ter a janela aberta, lembro-me do fado errado, e também não me poço esquecer, que por uma lágrima tua me deixaria matar, também não poço esquecer, que foi Deus, que deu luz ao mundo, e é por vontade de Deus que vivemos nesta ansìadade nunca vou esquecer o amor de Mãe, e ao falar do amor de Mãe, não vou poder esquecer que os putos, deste povo andam aprender a ser homens, etc. etc.
Fado canta a história de todos nós, é cantado nos salões, nas tascas, nas ruas e nas vielas, o fado é um senhor, mas também é um vadio, o fado é alegre e triste, o fado é barulho e solidão, o fado é amor, e ódio, o fado é vida, o fado é morte, o fado é saudade silencio e sombra, o fado é a vós do povo, pois a grande parte do fado também é o povo que o canta, para mim o fado é uma mistura de sentimentos, com alguns sofro, com outros até me sinto feliz, em cada fado á uma mensagem para cada um entender a sua maneira, sofrendo ou ser feliz, eu para mim ouvir fado da -me calma e faz que eu entenda melhor as coisas boas e menos boas da vida, já que não podemos viver a vida, pois que seja a vida que nos viva a nós, mas no que me diz respeito nunca me faltou a vontade e a força para lutar e viver por mim e por tudo o que gosto e pela minha família que muito amo.

Generosa
Outubro de 2008


Namorados

PARA MIM


 
Boa noite solidão.

Entraste pela janela, e é talvez através dela que entras no meu coração.

Só te peço solidão, para não ficares por cá, pois podes acreditar que não me das alegria, por isso se tiveres pena de mim, vai-te embora, deixa-me em paz mas tira-me desta aflição.

É tão grande a minha dor, que não a sei nem contar, nem dela quero falar, mas é tal a minha amargura, que a tanto tempo que Dura, mas eu tenho que a suportar.

Passam os dias, passam as noites, e tudo fica na mesma, só me resta a esperança que alivia a minha dor, te trago por companhia, é quem me dá alegria e me ajuda a dar amor.

Só o meu deus me pode dar força, e aumentar a minha fé, sei que não estou sozinha, pois a vida é como é.

Mas eu vou continuar pois foi deus que assim o quis, e vou dar felicidade, porque em mim está a saudade de voltar a ser feliz.

Fui uma menina alegre, criada com tanto amor, que nem na minha doença me lembrava da minha dor.

Cresci fiz-me mulher, fui de batalha em batalha, com a força de vencer, eu quero ganhar a guerra, porque gosto de viver.

Máguas tenho aos molhos, e algumas bem marcadas, mas delas pouco falo, só as guardo bem guardadas.

Espero ganhar a guerra, porque gosto muito de viver, com a esperança ao meu lado, dizendo a cada momento, amiga tens de vencer.

Tenho dentro do meu peito um canteiro de flores, cada uma tem o nome dedicado aos meus amores.

Agora só peço a deus, para os meus amores guardar, e que lhe dê a luz da vida para poderem caminhar.

Só te peço solidão, que te vás daqui embora, e não digas a ninguém o que eu faleinesta hora

Generosa..

RECORDAÇÕES

 

 

INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL
CENTRO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE ÉVORA


Centro Novas Oportunidades
Do Centro de Formão Profissional de Évora


Espaço para alguma história que queira recordar.



Lembro-me que:

Paradoxo dos paradoxos! Lembro-me que, quando era menina de tenra idade – três/quatro anos, me ter sentido, quase em simultâneo, a mais infeliz e também a mais feliz das crianças nascida numa recôndita aldeia do Alentejo.

Passo a explicar:

Ainda menina de colo, foi-me diagnosticado um Glaucoma Congénito que haveria de me levar, depois de vários anos de sofrimentos horríveis, a uma cegueira completa, não obstante se ter tentado tudo o que de melhor havia a nível de medicina e clínicas especializadas. O destino estava traçado… Nada havia a fazer!

Conformada? Como pode uma criança de tão tenra idade ficar conformada, não sabendo o que tal palavra significa e não tendo sequer a noção do que acabava de lhe acontecer?

Resignada? Não… E porquê?

Aqui começa, quanto a mim, uma das metamorfoses mais fantásticas que me aconteceram e que, mais uma vez, passo a explicar:

Neta de pessoas de algumas posses – meu avô era o Presidente da Junta de Freguesia da nossa aldeia – mas era, sobretudo, uma pessoa de elevado e nobre carácter moral tomando, muito cedo a seu cargo, juntamente com meus tios e pais, a moldagem da personalidade que ainda hoje, felizmente, norteiam a minha vida.

Assim, com muito amor mimo e muito, muito carinho, nortearam a minha vida no sentido de, ao invés de ser a menina que necessitava de ajuda era, pelo contrário, a menina que a todos socorria, especialmente aos filhos das pessoas mais pobres granjeando, como se deve compreender, as mais belas atitudes de reconhecimento e de quase idolatria. Sentia-me bem neste papel, sentia-me realizada com as pequenas ajudas que proporcionava aos meus conterrâneos que me apelidavam de “A nossa Menina”.

Haverá coisa mais bela e mais reconfortante para um carácter em formação?

Do que acabo de descrever gostaria agora de vos dar alguns testemunhos em forma de uma ou duas histórias que, segundo julgo, ilustrarão com singeleza mas muita verdade tudo o que para trás deixo dito.
a) – O episódio que vou contar é um, entre muitos que me acontecerem, seria impossível contá-los todos. Resolvi, por isso escolher dois que jamais irei esquecer.


A Igreja da N.ª S.ª da Graça do Divôr e os anjinhos que acompanharam a procissão, entre os quais eu fazia parte.

b) Tinha eu cinco anos quando N.ª S.ª de Fátima andou em peregrinação pelo país. A minha aldeia foi uma das contempladas. Depois de decorada com muitas luzes e flores como se podia fazer na época, também foi organizada uma linda procissão. Durante todo o percurso da mencionada procissão todos pediam à Santa que me abençoasse toda a vida.

O andor foi transportado pelo meu pai e tios paternos com a intenção de pedir a N.ª S.ª o milagre, pois era a esperança que lhes restava, uma vez que mais nada havia a fazer no campo da ciência.
Durante a semana seguinte a imagem permaneceu na Igreja da aldeia, sendo eu lá levada todos os dias por familiares e amigos: Pegavam-me ao colo para beijar a imagem e mandavam-me repetir “N.ª S.ª cuida de mim toda a minha vida”.

O milagre não se deu! No entanto deu-me força para saber compreender da mesma forma o Bem e o Mal.
Este episódio marcou-me profundamente para o resto da minha vida.

c) - Continuando as minhas lembranças, quase todas passadas em casa de meus avós paternos, os meus dias eram divididos entre brincadeiras, passeios pelo campo, acompanhada pelas minhas amiguinhas da minha idade e pelo meu inseparável amigo de quatro patas que nunca me deixava mal e livrava-me de todos os perigos. Íamos apanhar flores para fazer colares para pôr no cabelo. Como eu ficava feliz quando me diziam que as minhas flores eram bonitas e combinavam com os meus vestidos enfeitados de folhos ou bordados!

Também fazia longos e belos passeios com os meus tios, não dispensando nunca o meu “Pangalhadas”, o meu amiguinho cão que me deixou lembranças que nunca irei esquecer.

Lembro-me dos serões de Inverno quando, à lareira, sentada ao colo do meu avô, ele me contava historias e cantava comigo as cantigas da época. Como eu me lembro das merendas com as minhas amigas que a minha avó tão bem preparava. Sempre me senti bem a partilhar tudo o que tinha com os menos favorecidos. Em suma, gostava de tudo o que tinha e do que era. Fui até aos meus doze anos uma menina feliz, embora com muitos problemas de saúde, mas nunca me faltaram os cuidados necessários e que a época permitia.

Esse período da minha vida de que tenho tanta saudade me deixou e me ensinou a receber mas, também, aprendi a dar. Hoje aos 56 anos aceito a vida e aquilo que sou. Tenho as mesmas amizades e conquistei muitas mais e é com elas que recordo os nossos bons tempos